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Como a Zenplifique foi criada – S01E01

“Fui à floresta porque queria viver deliberadamente, sugar a própria essência da vida, expurgar tudo que não fosse vida, e não, ao morrer, descobrir que não vivi” (Henry David Thoreau)

Acredito que minha jornada para o Minimalismo começou quando eu me tornei vegetariana em 2013. É engraçado pensar como uma coisa está conectada a outra e como nós somos capazes de mudança, de transformação. Eu nunca tive muito amor pelos animais. Quando era criança, por morar em apartamento, tive uma tartaruga e um hamster. Não dei a eles o respeito que eles mereciam. Não os alimentava ou limpava como devia. A tartaruga foi doada para alguém que cuidava muito melhor, aliás está viva até hoje e está linda, e o hamster morreu cedo demais. Não gostava de gatos e tudo que eu queria era um cachorro que nunca tive (até hoje), mas tudo no tempo certo.

Passei a não gostar de nenhum animal. Queria gatos e cachorros longe de mim. E assim foi até os meus 20 anos. Quando conheci meu marido com 21 anos, fiquei chocada ao começar a namorar com ele e descobrir que ele tinha 7 cachorros e 2 gatos. No começo foi difícil, mas aos poucos fui me acostumando. Meu marido é uma pessoa de um coração enorme, e que sente uma enorme paixão pelos animais. Daqueles que se tivesse condições retiraria todos da rua para tratar e dar amor. Eu fui me contaminando por essa alma generosa e sentindo o amor que os bichinhos emanam e aprendi a amá-los.

Em 2013, depois de trabalhar 5 anos numa empresa multinacional, me desencantei com o meu trabalho. Comecei a ver a verdade por detrás da máscara das corporações. Sempre soube que somos apenas um número dentro de uma empresa, mas tem horas que você percebe que o problema é mais embaixo e que é muito pior que ser apenas um número. Era um jogo muito sujo da qual eu não queria mais fazer parte. Os valores da empresa não batiam com os meus valores pessoais. Eu achava que estava me traindo ao ir trabalhar todos os dias naquele lugar que não dava a mínima para os funcionários e que saía nas revistas como “Melhores empresas para se trabalhar” sempre entre as primeiras colocações. Como isso? Entrei em depressão com tamanha sujeira que eu via naquele lugar.

Comecei a questionar muitas coisas. Essa empresa tem cerca de 6mil funcionários (na época), sendo aproximadamente 2mil na área administrativa e 4mil na produção. No escritório não enchia uma mão quando contava quantos negros tinham, ou quantas mulheres em cargos de chefia alta. Tudo que eles diziam sobre inclusão cheirava a engodo. Homens em cargo de liderança que faziam mil piadas machistas, constrangendo as funcionárias. Onde estão todos os gays? Nunca vi nenhum. Quer dizer, vi vários, mas quem assumiria correndo o risco de ser boicotado por apenas ser quem é. Isso era pouco. Comecei a questionar as máquinas produzidas, exatamente para qual trabalho seriam destinadas. Descobri que elas criavam algumas coisas lindas, mas que destruíam muita coisa também, retiravam muito da natureza. Depois que eu me desencantei com a minha carreira promissora de executiva de multinacional decidi fazer a faculdade que eu queria ter feito quando saí do colegial: História.

(continua…)

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